"Sr. Fofinho"
A
coragem pode vir dos lugares mais improváveis. Alguns diriam que esta é a
ausência do medo, mas não concordo com esta definição. A coragem é a ação
tomada apesar do medo.
E
naquela noite quente de Janeiro, a coragem se mostraria, apesar de ninguém ver
-
André, você prometeu que iríamos juntos para casa da minha mãe para o feriado –
disse consternada a esposa.
-
Mas é minha carreira, Cecília, eu não sei se terei outra oportunidade como esta
– respondeu o marido – Eu encontro com vocês amanhã a noite – completou.
-
Você não passa mais nenhum tempo com a gente – disse com lágrimas nos olhos –
Já são o que? Três anos? Você está perdendo o crescimento da sua filha
-
Eu trabalho duro para dar uma vida digna para você e para a Marisa – disse o
rapaz com firmeza
Cecília,
apenas baixando os olhos, desligou o celular, terminou de colocar as malas no
carro, preparou a cadeirinha de Marisa e entrou para buscar a pequena.
-
Vamos filha, está na hora de ir para a casa da Vovó – disse a mãe
Pegou
a criança no colo e prendeu-a a cadeirinha
-
Mamãe, você pegou o Sr. Fofinho? – indaga a menina
-
Ele está aqui – responde dando o velho ursinho de pelúcia para a filha
A
mãe, então, toma seu lugar no assento do motorista e inicia a viagem até a casa
de seus pais, avós de Marisa.
Já
era noite, a estrada, com poucos carros, era apenas uma imensidão de
tranquilidade. E o leve balanço fez com que Marisa sentisse suas pálpebras
pesando, até pegar no sono.
O
que pouca gente sabe, é que, ao dormir, um novo mundo é criado, o Reino da
Soneca, local que é protegido por guerreiros ferozes e valorosos, os bichinhos
de pelúcia, ou qualquer outro objeto que uma criança sinta-se segura ao dormir
junto.
O
Sr. Fofinho não era diferente, era um guerreiro experiente, já havia travado várias
batalhas contra os Monstros do Pesadelo, nunca permitindo que uma criança sob
sua guarda fosse assombrada por essas criaturas vis
Ao
olhar para o ursinho era dificil acreditar que tivesse qualquer experiência de
combate, era a coisa mais fofinha do mundo, como seu nome já diz, um ursinho
pardo com um círculo na barriga de tom mais claro e na sola de uma das patinhas
traseiras, ou dos pés como queira chamar, a palavra “Te” e na outra a palavra
“Amo”.
-
Olha ai quem chegoooou! – exclamou Leo
Leo
era uma onça pintada de pelúcia, a ironia da coisa, já que com esse nome se
esperasse um leão. Se vestia de mosqueteiro, usando no chapéu uma enorme pena
branca, o que contrastava com o azul do restante da vestimenta
- Quem bom que está aqui, temos uma missão no
setor 7 – avisou Cobertinha
Sim,
Cobertinha, os defensores dos sonhos podiam vir em toda e qualquer forma. Logo,
alguma criança só pegava no sono ao lado de sua inseparável coberta.
-
Mas já? Eu mal cheguei – respondeu Sr. Fofinho pegando da parede do local seu
escudo redondo e sua gladio
Os
três partiram para o setor 7 para enfrentar o pesadelo que tentava se
estabelecer no Reino da Soneca.
-
Temos informação do que vamos enfrentar? – pergunta o ursinho
-
Sim, é um pesadelo de nível Amarelo – responde prontamente Cobertinha
-
Talvez dê um pouco de trabalho – ponderou a onça
Ao
se aproximaram já conseguiram visualizar a criatura, devia ter o tamanho de um
caminhão e bem, Sr. Fofinho, por exemplo, era um ursinho de 30 cm de altura. A
fera era um quadrúpede com uma cauda bem comprida, sem olhos e com uma boca
enorme, cheia de dentes pontudos.
O
monstro, ao perceber a presença dos defensores, parte para o ataque e lança uma
esfera de energia na direção deles.
Sr.
Fofinho pula na frente dos companheiros posicionando seu escudo, gera um campo
de força e consegue defletir o ataque, Leo salta usando como impulso as costas
do ursinho, desembainha seu sabre e com um corte no ar lança um semicirculo de
energia, que acerta a cabeça do pesadelo, o deixando atordoado
Cobertinha
faz surgir uma bola de fogo gigante sobre ela, em seguida com uma movimento de
seus, errr, não posso dizer braços, porque não o são, pontas? Isso, com o
movimento de suas pontas faz com que a esfera incandescente caia sobre a fera
atordoada
Uma
nuvem de poeira sobe, tampando a visão de nossos heróis, quando ela se dissipa
é possivel ver que a fera, apesar de machucada, ainda está pronta para o
combate e parte em direçao a eles
Com
uma forte patada ela atira Leo longe, a onça desliza pelo chão como um carro
capotando
Sr.
Fofinho aproveita para se esgueiras por trás do monstro e desfere um golpe
poderoso em sua cauda, arrancando a mesma. Um urro de dor e ódio pôde ser
ouvido neste momento
Aproveitando
a vulnerabilidade da fera, Cobertinha ergue uma de suas pontas, Leo e Sr.
Fofinho apontando suas espadinhas para o céu com um raio de luz saindo de suas
extremidades, no alto se forma um triângulo luminoso que se projeta sobre o
monstro sombrio. A explosão gerada faz com que este se desintegre e as
partículas “pesadelísticas” retornem para seu local de origem
-
Parece que vai ser mais uma noite tranquila de sono para as nossas crianças –
disse Cobertinha em um tom aliviado
-
Agora eu so quero me limpar e passar o resto do tempo fazendo vários nada –
completou Leo
Eles
retornam a base, Cobertinha e Leo se jogam em suas poltronas na sala comunal.
Cobertinha puxa um livro grande, com o título “Magia Arcana para iniciantes”.
Leo, por sua vez, pega uma revista de história em quadrinhos chamada “As
fantásticas aventuras do peixinho Glub Glub no reino encantado da Paçoca
Rolha”.
Já
Sr. Fofinho prefere ir para o seu quarto, cansado depois da luta, so queria
deitar em sua caminha. Mas ao abrir a porta ele se depara com algo que iria
mudar o rumo do Universo, diria mais, iria mudar o rumo do Reino da Soneca e
adjacências
-
Vo.....Voc......Você não deveria estar aqui – murmura o ursinho apavorado
-
Humanos não poderiam entrar no Reino da Soneca, é perigoso demais – completa preocupado
– preciso levar você de volta.